O maquinista do trem fantasma apita em todas as curvas...
Augusto Nunes – Veja.com
Em 2008, quando foi incluído no PAC, o trem-bala custaria R$ 20 bilhões, seria licitado em 2009 e começaria a circular em 2014, para mostrar aos turistas deslumbrados com o anfitrião da Copa do Mundo que com o Brasil ninguém pode. Há 10 dias, quando Lula e Dilma inauguraram a promessa de começar a construção assim que puderem, o trem-bala brasileiro transformou-se no primeiro da história que, ainda na fase do edital, ficou 50% mais caro e acrescentou mais dois anos ao prazo originalmente fixado para o fim das obras.
Em matéria do Jornal da Cidade o presidente do diretório estadual do PT, Silvio Santos, garante que qualquer integrante do partido que se recusar a votar nos candidatos da coligação pode ser enquadrado como infiel e expulso do PT. A declaração foi dirigida a possíveis apoios de prefeitos petistas ao candidato Albano Franco. Na mesma matéria já foi mostrado um candidato à punição: o prefeito e Propriá, Paulo Britto, que confirmou ao jornal que apoiará Albano.
Me engana que eu gosto II
Ocorre que Silvio Santos ainda dá uma chance às ovelhas desgarradas. O castigo só acontece se o apoio ocorrer “oficialmente”. Como nenhum prefeito vai querer colocar a cabeça a prêmio, fica tudo como já está. Apoio explícito, mas extra-oficial. E assim ninguém pode dizer que o zeloso PT não fez sua parte. Pode não ameaçar os petistas transformados em réus pelo STF no processo do mensalão. Mas, infiéis, tremei!
Água e óleo
No meio dos atingidos pelo agressivo documento do governo do Estado, protocolado no Conselho Federal de Medicina para obter apoio para a criação do Campus de Saúde na Cidade de Lagarto, está a Universidade Federal de Sergipe. Afinal é ela que há quase 50 anos forma os profissionais acusados de “prática médica degradada, que atua, por um lado, com um paradigma científico defasado e, por outro, com uma prática técnica e ética não comprometida com o cuidado do paciente”. E ainda, com um “Hospital Universitário que nem sempre tem uma integração efetiva com o Sistema Único de Saúde”.
Água e óleo II
Era de se esperar uma resposta da UFS em sua defesa. E ela veio por meio de nota nos jornais. O engraçado é a única vez em que o texto se refere ao governador Marcelo Déda, que assinou o polêmico documento, foi para elogiá-lo pelo apoio à inclusão dos excluídos no processo educacional. No mais, diz que os argumentos do governo foram um lamentável equívoco que não condiz com o apoio que a instituição recebe dos gestores estaduais. Parece coisa de Kafka, mas é real. A universidade conseguiu separar o governo do governador. A não ser que imaginem que Déda assinou o documento assim como Dilma justificou rubricar seu programa de governo: sem ler antes.